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Livro Digital

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

SOBRE CORRUPÇÃO E CORRUPTOS

A corrupção é um tema que está com frequência na ordem do dia de jornais, revistas, noticiários, na mídia em geral e não posso deixar de falar um pouco desta notável figura metafórica que muitos ouvem, todos ou quase todos parecem conhecer a figura e, talvez, poucos saibam efetivamente como lidar com ela ou mesmo interpreta-la devidamente quando se encontra diante dela.

Pelo meu glossário acadêmico a palavra Corrupção derivada do verbo Corromper parece-me dizer que se trata de provocar o rompimento, a fratura, a ruptura, a deformação ou o desalinhamento de um processo, um sistema ou um organismo e de um programa ou texto científico. Não vou consultar o Aurélio e deixo que outros o façam porque gostaria de deixar claro nesta narrativa o que penso sobre esta palavra e sobre a sua ocorrência real como em vários momentos experimentei, vivi e sofri danos talvez hoje irreparáveis causados por algumas dessas situações. Talvez por falta, na época, de uma melhor compreensão do que se tratava.

É claro que não pretendo escrever um Tratado sobre a Corrupção, nem relatar as amargas experiências vividas, mesmo porque não me sinto à vontade agora para uma obra dessa natureza. Mas não me custa realizar as leituras de alguns fatos e evidências e coloca-las no papel, talvez como uma forma de descarregar o meu consciente dolorido pelo que vi, vivi, passei e ainda vejo na raiz de uma nação como o Brasil.

Se considerar as palavras expressas acima como um conceito, seria interessante dimensionar o seu sentido para facilitar o entendimento. Assim, posso dizer hoje que existem quatro ou cinco tipos ou formas dimensionais de corrupção as quais nomeio a seguir.

A primeira forma denomino de NanoCorrupção: trata-se de um modelo de corrupção invisível e imperceptível a olho nu e que age de forma cruel como o vírus ebola ou outro qualquer. Ela corrompe, contamina, desgasta de forma lenta, mas contínua o organismo humano, social, ambiental. Elas podem, como as demais, ser desenhadas segundo regras sociológicas psicológicas, econômicas, antropológicas para atender aos diversos estilos de os agentes agirem no ato de corromper.

Existe um sem número de exemplos cuja listagem encheria várias páginas com e sem fotos e outros tipos de ilustração. Contudo registro uns poucos exemplos e começo com a chamada cola didática, ou seja, aquela que o aluno faz olhando por sobre o ombro do colega em uma prova para ver se consegue copiar a resposta em um quesito. Aqui também considero uma ação nanocorrupta o professor dispensar um aluno de entregar um trabalho escolar porque ele (o aluno) tem se comportado muito bem e demonstra bom nível de inteligência em sua disciplina. Na minha forma de pensar se tiver que dispensar um aluno de entregar um trabalho dispensarei a todos e refaço a metodologia da atividade acadêmica para contemplar esta atitude. Outro exemplo ocorre quando tentamos furar uma fila, muitas vezes fingindo que estamos doentes, e dizemos não ser possível esperar a nossa hora de ser atendido. Um tipo interessante é o da falta de troco em centavos muito comum nos caixas de supermercado, mercearias, farmácias, padarias, etc.

Um fato que presenciei muito a propósito deste tipo ocorreu numa fila de um renomado Hipermercado em Salvador. Estávamos em pleno plano Collor, quando todo mundo foi saqueado pelos donos do poder na época quando um cliente a minha frente foi atendido. Depois que a garota do caixa contabilizou os produtos e totalizou o valor a pagar o cliente entregou-lhe várias cédulas em pagamento. A caixa deveria devolver-lhe um troco que incluía uma fração de 10 centavos. Como já era de hábito – e diga-se que um dos centros promotores da NanoCorrupção são os velhos hábitos negativos que se enraízam nas pessoas – não havia moedas de 10 centavos no caixa. Qual a solução da moça: “O Senhor aceita uns caramelos para completar o troco?”. Ao que o cliente respondeu: “Não aceito. Prefiro os 10 centavos”. Ela insistiu: “Não tenho moedas de 10 centavos no caixa, por isso estou sugerindo que o senhor receba em bombons o seu troco”. Enquanto a discussão entre cliente e caixa se desenrolava a fila crescia e o pessoal já demonstrava irritação. Contra quem era a irritação? Pensem. Contra o cliente que não aceitava o troco em forma de caramelos ou bombons.

Incrível. Eu estava bem próximo do cliente exigente quando um cidadão saiu de sua posição bem atrás e se ofereceu para dar ao reclamante uma moeda de 10 centavos para que ele deixasse a fila andar. Paro aqui e deixo a apreciação do caso para o leitor. Este é um exemplo bem prático de corrupção e corruptores dentro desta modalidade nano.

A segunda forma é a MicroCorrupção. Esta já é bem perceptível e ocorrem também diariamente nas padarias, mercadinhos, açougues, etc. O exemplo mais comum é o do quilo de 950 gramas. O dono do açougue adultera o registro de peso da balança de tal forma que quando ele coloca o corte de carne para um quilo em verdade está pesando 950 gramas. Veja que em um açougue mediano desossam várias arroubas de boi por dia. Calcule no final do dia quantos quilos de carne deixaram de ser entregues aos clientes devido a este artifício. Considere apenas uma arroba equivalente a quinze quilos. Quanto os clientes pagaram sem levar em carne desse açougue? O mesmo ocorre em uma bomba de gasolina, na medição do consumo de água e de luz, nas corridas de taxi e tantos outros fatos que já sabemos muito bem e somos até coniventes o que nos coloca na posição de corruptores ou coparticipantes do sistema de microcorrupção.

A terceira forma é a MesoCorrupção. Esta ocorre nos processos de negociação entre vendedor e comprador de pequenas quantidades de materiais dentro de empresas comerciais e industriais. Geralmente as negociações de compra e venda de produtos e materiais para os suprimentos das empresas se fazem com a famosa “quebra” ou o “desconto” ou, ainda, o “chorinho” que o vendedor oferece para que o comprador fique com a mercadoria. Sei de casos em que compradores juniores acumularam benefícios superiores aos seus ganhos reais apenas recebendo essas propinas dos fornecedores. O fornecedor, por sua vez, repõe essas propinas através do “overprice” que coloca nas mercadorias. Muitas vezes ambos, vendedor e comprador se associam para as duas partes ganharem com o “overprice”. Coloquem a imaginação para funcionar e identifiquem outros exemplos de mesocorrupção.

A quarta forma é a MacroCorrupção. Bem. Neste caso o Brasil é campeão e as manchetes estão cheias de relatos. Não precisa ir muito longe buscar na história para desvendarmos os grandes casos de corrupções que assolaram os nossos governos. Vejamos apenas os recentes. São corrupções que acontecem nos órgãos públicos, nas empresas públicas e estatais, nos governos federal, estaduais e municipais e vão desde a compra de materiais para merenda escolar até os chamados mensalões e petrolões. Permito-me não narrar estes tipos porque são os mais amplamente visíveis e o leitor já está careca de saber ou ouvir falar deles.

É possível que exista uma forma que se chama de MegaCorrupção, a qual envolve as transações entre países ou entre empresas globalizadas sob a inspiração dos governantes ou seus emissários para fazer negociações. Mas vamos parar por aqui. Já exemplificamos o suficiente para as quatro formas que enumeramos. Um fato deve ser salientado. Qualquer um de nós está sujeito a ser levado na conversa e, às vezes de forma ingênua ou por simples desconhecimento ou inocência, aceitamos esses brindes, presentes, bônus, descontos, etc. que são oferecidos no mercado porque não olhamos tais ações como sendo maldades, mas acreditamos que façam parte de uma cultura mercadológica própria do capitalismo.

Encerro esta narrativa copiando uma mensagem muito pertinente que recebi da Organização Brahma Kumaris:
Mudança
"Agora é hora de mudança, tudo está chegando a um clímax. O fim da corrupção está perto. Temos que criar um mundo de verdade e amor. Cada um tem seu papel. Se comparo ou critico, perco tempo porque não posso mudar o papel dos outros. Então tenha pensamentos positivos para si. Contemple o que é bom. Vá para um estado de meditação. Mantenha as qualidades originais da alma (pureza, paz, amor, verdade, felicidade) na mente. Pense nas qualidades do Pai e não se preocupe”.
Brahma Kumaris


Pão, Paz e Liberdade