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domingo, 26 de maio de 2013

MAIO DE 68! A Utopia Acabou?

Lá se vão 45 anos! E aqui estamos os remanescentes dos episódios que marcaram uma das mais interessantes manifestações (como uma mensagem para uma revolução que não aconteceu... ainda) libertária. Por que os “intelectuais” ocidentais desenvolvidos e subdesenvolvidos, temem o Libertarismo que também pode ser chamado de Anarquismo Evolucionista?

Talvez os acontecimentos de Maio de 68 na França e seus filhotes magricelas que aconteceram em vários países do Ocidente, tenham causado medo aos senhores da Intelligentsia que ou estavam no poder dominador e dominante ou estavam pendurados direta ou indiretamente às beiradas daqueles poderosos.

Diga-se, de passagem, que havia medrosos tanto na direita liberalista e nacionalista como na esquerda socialista, stalinista, maoistas e trotskista. As resistências a mudanças que envolvem o fim de governanças corruptas, de governos centralizadores, de senhores de propriedades roubadas da natureza e do povo (afinal, a Propriedade é um Roubo!, como bem asseverou o grande pensador anarquista Proudhon) foram até bem sucedidas em várias regiões do Planeta, algumas resultando até em regimes políticos muito mais fechados, como foi o caso do Brasil.

Isto é certo. O velho resistirá até onde lhe for possível para que o novo não se projete. Verifica-se este tipo de resistência em todos os ambientes: desde os familiares – quando os pais, ao avós e os tios mais velhos criam barreiras para a novidade e a avanço dos filhotes em sua luta pela libertação – até os sociais e políticos, os econômicos e empresariais – estes por sinal representam a grande força de resistência em defesa da propriedade individual negativa e contra a propriedade pluralista como pensou Proudhon, quando ele fala sobre a posse positiva como uma forma de se organizar a economia e a vida em sociedade.

E qual era mesmo o sentido (senão o propósito primário) dos jovens de 68? Qual era mesmo o sentido do “É Proibido Proibir”? Era a construção de uma nova Utopia ou era um manifesto contra a utopia do poder centralizado, do poder dos grandes proprietários? Se a utopia prevalente era (como ainda é, apesar dos vários processos de aprendizagem porque passamos até hoje) a da preservação a qualquer custo da propriedade, qualquer forma de contra-utopia seria (e será) reprimida pela força, como ocorreu ao longo de 68.

O ponto nevrálgico do sistema repressivo é a proteção da propriedade porque é nela que nasce a riqueza, a usura, a ganância e o lucro da feudalidade industrial, como diria Proudhon tomando de empréstimo a expressão criada por Fourier.

Estamos a 45 anos falando em “liberdade, liberdade”, para não recuar ainda mais no tempo social e tudo o que temos feito é proteger o egoísmo negativo e perdulário gerador de usura e violência e que resiste a uma educação libertária para os jovens, pelo menos aqui neste país.

A Utopia acabou? Ou estamos ainda com o grito da transformação engasgado na garganta dos jovens de ontem, uma vez que aos jovens de hoje não foi permitido se aproximarem dos conceitos revolucionários que dinamizaram os jovens de ontem?

O sistema de educação a serviço do poder dominador e dominante travou em todo o mundo o Aprender a Pensar porque uma população que pensa representa um potencial acervo revolucionário, o que não interessa aos donos do poder de ontem e de hoje e esse sistema educacional autoritário reprime severamente qualquer pensador que se atreva a introduzir no ambiente escolar e acadêmico conceitos que firam os interesses feudo-comercial-industrial.

Mas, o mundo contemporâneo caminha de modo acelerado para uma violenta (e perigosa) entropia e já se está discutindo o fim do homo sapiens ou temas como avanço da Era Antropocena ou, ainda, para alguns otimista emergentes, o fim da miséria e começo da abundância. Estes foram os temas que circularam nos últimos meses pela netmídia, para não falar dos novos aficionados debatedores do tema mais à esquerda chamado de decrescimento.

Parece-me que o que sobrou dos intelectuais de 68 – visto que foram muitos os que se engajaram ou estavam começando uma carreira intelectual nos confrontos de Paris/maio de 68 – e que agora vem à tona através desses e de outros temas interessantes e que poderiam até somar-se em torno de um grande projeto planetário, uma vez que a netmídia tem sido utilizada para algumas “primaveras árabes” que, no máximo, conseguem substituir um líder brutal por outro um pouco maleável, mas concentrador e dominador.

No segundo decênio da Terceira Modernidade (e Segundo Iluminismo) nosso país continua preso aos desígnios de grupos dinásticos na política, na educação, na economia, os quais continuam lutando com todas as armas possíveis para não serem substituídos pelo novo. Isto se percebe de forma bem firme com o processo de reeleição de prefeitos, governadores, presidentes e, pior ainda, vereadores, deputados e senadores. A reeleição é uma das principais ferramentas de oposição ao novo, além de inibir a memória do povo para os fatos que denigrem nossa ética e nossa moral, visto que, passados quatro anos, já não haverá mais memória na mente do povo para os fatos e os atos divulgados pela mídia envolvendo esses políticos que estão e continuarão no poder.

Mas o novo vai vencer a despeito da resistência à mudança e, para mim, o que os propagadores de uma Era de Abundância pregam só poderá ocorrer com o fim da propriedade individual negativa, acumuladora e exclusora e a geração de um processo de posse coletiva sem desvalorizar os proprietários positivos e criativos que fazem uma parceria progressista para o bem comum; sem estas ações, não podemos falar em decrescimento, em redução da pobreza, em índice nacional de felicidade (INF) – como uma nova invenção da criatividade humana para medir o desenvolvimento per capita de uma região ou um país –, enfim não será possível se concretizar uma Era Antropocena não destrutiva, mai criativa, que respeite e escute com firmeza a Voz da Natureza, e que promova a inclusão de que tanto carece o homem em todos os pontos do Planeta.


Assim, poderemos ter uma Nova Utopia que respeite a Natureza, o Planeta, o Ser Humano em totalidade, em sentido holístico, e novos Maio de 68 virão com novas e boas novas ideias, para proporcionar ao homem uma mais efetiva consolidação do conhecimento para o bem.