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Livro Digital

sábado, 15 de maio de 2010

Tectologia e Organotectônica

Uma Teoria para a Construção de Estratégia Social e Socioeconômica

Temos feito referência em alguns trabalhos e artigos ao nosso estudo sobre Prospectiva Estratégica Tectônica (PET) e sua importância para o estudo e solução de distúrbios, conflitos e perturbações de ordem econômica, social, psicológica, cultural e estrutural nas organizações. As idéias desenhadas para discutir e elaborar constructos relacionados com bases teóricas para a compreensão da PET nos levou a elaborar a metodologia que denominamos de Administração Estratégica Tectônica (ADETECT) como síntese desses trabalhos.

Aprofundamos nossas pesquisas envolvendo, principalmente, uma visão interdisciplinar entre Administração, Sismologia, Geofísica, Prospectiva, Teorias de Sistemas, da Complexidade e Teoria das Catástrofes, Teoria de Todas as Coisas, Holística, da Auto-organização, Autopoiese e outras tantas que estiveram em nossa mesa de leitura.

Apesar de ter visitado, lido, estudado e interpretado na medida do possível todas estas teorias como base de apoio para a construção dos Princípios Gerais de Administração Tectônica (que me parece uma expressão mais “digestiva” em relação a do PET, que, por si mesma é mais profunda e dirigida para níveis mais científicos que filosóficos), não havia percebido entre minhas leituras algo relacionado com a Tectology, teoria criada pelo cientista soviético A. Bogdanov.

Assim, para aproximar os nossos estudos interdisciplinares de Administração em conjunto com ciências da Terra e ciências do Cosmo, estou publicando trechos do artigo de John A. Mikes “TECTOLOGY: the natural philosophy of organization in/into complexities”.

A idéia vem a propósito de familiarizar os leitores sobre a nossa idéia de Administração Estratégica Tectônica (ADETECT), com denominações científicas ou nomes de ciências que não estão no dia a dia de nossas academias cartesianas de administração, economia, contabilidade, enfim, ditas ciências sociais. A seguir apresento tradução de alguns trechos para começar uma aproximação entre a Administração Tectônica e Tectologia.

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“TECTOLOGY” Resumos:

A Tectologia (Bogdanov 1922) é o "elo que faltava" das ciências naturais, a disciplina de 'auto-organização', a síntese de complexidades mais altas: a filosofia natural de organização i.e. de formação em/para complexidades mais altas; i.e. as regras de predição quando componentes se auto-organizam em uma unidade que desenvolve uma qualidade, diferente daquelas características observáveis nos componentes de montagem de complexidade mais baixa. Domínios da Tectologia: ciências dos materiais, de computação, física e ciências de vida, ciências cognitivas, economia e ciências sociais, desenvolvendo uma filosofia de ciência natural para pavimentar o caminho para o desenvolvimento das disciplinas práticas. Exemplos de complexidades de padrão: matrimônio, células vivas, corpo, sociedade de inseto, evolução, ecologia, mente, programa de computação, economia, idioma e escrita, exército, formações de galáxia, etc. (John A. Mikes)

De acordo com Bogdanov "A preocupação da Tectologia é a sistematização da experiência" organizada, pela identificação de princípios organizacionais universais: “todas as coisas são organizacionáveis, todos os COMPLEXOS só poderiam ser entendidos pelo seu caráter organizacional”. Isto é (historicamente) a primeira identificação de “complexos” filosóficos nas ciências naturais, para denotar uma combinação de elementos de ‘atividade-resistência’. Bogdanov considera que qualquer complexo deve corresponder a seu ambiente e adaptá-lo. (Um complexo organizado e estável é maior do que a soma de suas partes). Em Tectologia, o termo ‘estabilidade’ refere-se não a uma estabilidade dinâmica, mas à possibilidade de preservação do complexo em um dado ambiente. Um ‘complexo’ não é idêntico a uma unidade grande, complicada, difícil de compreender. Posteriormente Bogdanov criou uma concepção única, como a primeira tentativa ‘moderna’ de formulação de uma lei mais geral da organização. A Tectologia foi criada por Bogdanov para conduzir questões tais como holística, fenômeno emergente e desenvolvimento sistêmico. (John A. Mikes)
(...)
Esta nova ciência construtiva edifica os elementos em uma entidade funcional por uma ciência das leis gerais que determinam a organização. De acordo com o seu princípio “empírio-monístico” (1899) ele não reconhece diferenças entre observação e percepção e assim cria o começo de uma ciência empírica geral, supradisciplinar (contudo não sobrenatural). No seu tempo de visão muitíssima psicanalista, o ponto de partida da investigação de Bogdanov era a ‘organização’, como uma unidade expediente. Realmente significou o berço da Ciência de Sistemas e do Holismo. O “todo” em Tectologia, as leis de integridade foram derivadas mais de como os biologistas vêem o mundo do que como os psicanalistas o vêem. Considerando os três ciclos científicos que compõem a base da Tectologia (matemático, físico-biológico, e natural-filosófico), é do ciclo físico-biológico que os conceitos centrais foram tomados e universalizados (Peter Dudley – Simona Pustylnik, 1995). O ponto de partida em “Universal Science of Organization – Tectology” (1913-1922) de Bogdanov é: a natureza tem um caráter geral, organizado, com UM CONJUNTO DE LEIS DE ORGANIZAÇÃO PARA TODOS OS OBJETOS. Está contido em um desenvolvimento interno de unidades complexas, como implicado pelo “macro-paradigma” de Simona Pustylnik que induz conseqüências sinergística em um fenômeno adaptável de montagem (1995). A ótica visionária de Bogdanov de natureza era: de uma ‘organização’ com uma interconexão entre sistemas. Ele estava precedendo a Ciência Geral de Sistemas de L. von Bertalanffy e as escolas modernas de sistemas complexos auto-organizados. Lênin (e Stalin posteriormente) considerou a filosofia natural de Bogdanov uma ameaça ideológica para o seu materialismo dialético revolucionário (o que realmente não era) e pôs tectologia para dormir. (John A. Mikes)

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Como se pode perceber nestes resumos, tanto a Tectologia quanto a Organotectônica ou Administração Tectônica estão engajadas em contribuir para os Princípios Gerais de Administração (PGA) e para o fortalecimento das ciências sociais não como disciplinas isoladas, estanques/estáticas, mas como um conhecimento amplo e multidisciplinar. Creio que é chegada a hora de acabarmos com esta retrógrada separação do conhecimento em disciplinas isoladas, individuais e estáticas.

Principalmente para o profissional de Administração ter um conhecimento inter-multi-pluridisciplinar (Cf. Edgar Morin: A Cabeça Bem-Feita e nosso Blog: http://blogs.universia.com.br/dialogos) é muito importante na medida em que o mundo dos negócios vai se tornando cada vez mais turbulento e complexo nesta Quarta Onda de Globalização.

domingo, 2 de maio de 2010

SISTEMAS HUMANOS: DO INDIVÍDUO AO MULTIVÍDUO

As ciências realizaram o que acreditavam ser sua missão: dissolver a complexidade das aparências para revelar a simplicidade oculta da realidade; de fato, a literatura assumia por missão revelar a complexidade humana que se esconde sob as aparências da simplicidade.

Edgar Morin (A Cabeça Bem-Feita)

O que fez a ciência senão transformar o complexo no simples, a multividualidade na individualidade? As Artes e as “Ciências Artes” (Literatura, Artes Plásticas, Ciências Sociais e Humanas, História, Geografia, Antropologia, Sociologia e Psicologia), ao contrário das Ciências Exatas, procuraram, como o fizeram até agora, identificar e decodificar a complexidade na simplicidade e não para a simplicidade. Isto pode ser agora, ousadamente, posto como a busca da Multividualidade na Individualidade e não para a individualidade apenas.

Na Administração Integral e Holística dizemos que a Ciência Exata (dura, cartesiana) decodificou o homem como um indivíduo, transformando-o em um recurso usável e descartável no ambiente das revoluções industriais, enquanto que a Ciência Arte (mole, flexível, holística) reconstruiu o homem em sua totalidade, em sua multividualidade, considerando-o como um Sistema Humano complexo e não descartável, desconstruindo o conceito de recursos humanos. Aqui reside o Projeto SHENG: ser um ambiente de Ciência Arte, Ciência e Arte ou apenas Arte para promover o ser humano como um sistema e não como um recurso.

O que é o Homem senão um Universo de Homens? Cada um de nós representa um somatório de todos os homens que habitaram e habitam o Planeta; representa um conjunto complexo de indivíduos e não apenas um mero indivíduo como foi e ainda está sendo considerado pela ciência.

O Homem é uma metáfora complexa e não uma simples frase que implica em tratá-lo como recurso pela tecnologia management. Tal qual o Planeta Terra ou os planetas no cosmo, ele vibra ao viver e vive para vibrar, para sacudir. Ele pode ser ao mesmo tempo simples como uma brisa marinha (suave) e complexo e destruidor – quando em estado entrópico positivo – ou complexo e construtor – no estado entrópico negativo – como um furacão: ele é ao mesmo tempo circulação e translação, borda e núcleo. As distinções não cabem em fórmulas duras, mas em proposições moles e suaves.

Daí a ocorrência dos humanomotos que são em nanossentido o equivalente em megassentido ao terremoto, ao maremoto, ao furacão (terra, mar e ar). Isto nos remete ao estudo que estamos efetuando e que chamamos de Administração Estratégica Tectônica, que juntamente com outros trabalhos realizados dentro de nosso Ambiente SHENG será aqui apresentada inicialmente de modo sumário e, depois, em forma de eBook.