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sábado, 3 de setembro de 2016

DEZ TESES SOBRE A CRISE DA MODERNIDADE

Após a leitura deste artigo resolvi traduzi-lo e posta-lo para que os alunos e colegas pudessem ler e refletir sobre as ideias propostas nestas TESES. São teses discutíveis, sobretudo do ponto de vista acadêmico, e ampliar as ideias  relacionadas com o que venho propondo para a construção de princípios orientados para uma ECONOMIA ORGÂNICA em substituição a atual Economia Orgânica que nestes mais de 300 anos de desenvolvimento capitalista não conseguiu melhorar as condições ecológicas do Planeta. Vale salientar que uma nova Economia só será possível se conseguirmos superar, entre outras, a questão da propriedade individual subordinativa (PIS) e substitui-la por uma propriedade individual cooperativa (PIC).
O presente post tem fins educacionais e pedagógicos e, como tal, não pode ser reproduzido para fins comerciais sem permissão do editor. Leiam, discutam, reflitam e compartilhem para que cada vez mais alunos, colegas e amigos possam ter acesso a ideias e conhecimentos que são laterais em relação aos paradigmas vigentes de administração e economia. Os comentários são bem vindos.

jueves, marzo 27, 2014    
Víctor M. Toledo
Faz-se uma justa síntese do que significa a crise da civilização industrial ou moderna, a partir de um olhar histórico que contempla a paisagem completa do passado humano e da vida. Considera-se que o dilema central é entre tradição e modernidade, e que para remontar à crise requer-se remontar ao domínio do racionalismo, à dependência da energia fóssil, ao abandono a que se condenou o indivíduo e a fase corporativa do capitalismo. Identifica-se a construção do poder social como a pedra axial de uma ecologia política verdadeiramente emancipadora. Conclui-se que as próximas décadas serão cruciais pois se haverá de viver o conflito supremo entre o macaco demente e o maçado pensante, entre os interesses particulares e perversos e a consciência cósmica. Disso dependerá a sobrevivência da espécie humana ou seu desaparecimento.

1. O Olhar Histórico. Resulta impossível uma visão acertada da crise atual, se se carece de uma perspectiva histórica(1). Porém, não somente da história dos historiadores, senão a história dos arqueólogos, dos paleontólogos, dos biólogos, dos geólogos e dos astrofísicos(2). O panorama revelado pela pesquisa científica, isto é, pelo pensamento racional, oferece dados concretos acerca do devir humano e social, do mundo vivo, do planeta e do universo. Compreender a vida ou o devir do planeta ou a evolução dos hominídeos, resulta necessário para entender os processos sociais. Boa parte da tenacidade humana provem do estreitíssimo olhar dos analistas e estudiosos, de sua ausência de memória, de sua visão quase instantânea, característica inequívoca da própria crise.

2. Crise de Civilização. O mundo moderno é uma invenção social que faz apenas trezentos anos. Uma origem difícil de precisar, porém que se fixa em algum ponto de onde confluem o industrialismo, o pensamento científico, o mercado dominado pelo capital e uso predominante de petróleo. O inicio da ciência pode fechar-se de maneira “oficial” em 1662 e 1666, anos em que se fundaram as primeiras sociedades científicas na Inglaterra e em França. A estreia de um poço de petróleo regurgitando 'ouro negro' ocorreu em 17 de agosto de 1859 no sudeste americano. A industrialização e o capitalismo são processos difíceis de datar, mas ambos não vão além de três séculos.

Na perspectiva da história da espécie, de uns 200.000 anos, a aparição da era moderna ocorreu em apenas “um abrir e fechar de olhos”. Em umas quantas décadas se passou de um metabolismo orgânico a um metabolismo industrial [inorgânico]. A tensão que existe hoje se deve, principalmente, ao que aconteceu nos últimos cem anos, um período que equivale a apenas 0,05% da história da espécie humana. No piscar d’olhos do século passado, todos os processos ligados ao fenômeno humano se aceleraram, aumentando seus ritmos para níveis nunca vistos e gerando fenômenos de tal complexidade que a própria capacidade do conhecimento humano ficou dominada. O século XX foi então a época da consolidação do mundo moderno, industrial, capitalista, racional, tecnocrático e de sua expansão por todo o planeta.

Vivemos uma crise da civilização industrial cuja característica primordial é a de ser multidimensional, pois reúne em uma só trindade a crise ecológica, a crise social e a crise individual, e dentro de cada uma destas uma gama de (sub)dimensões. Isto obriga a orquestrar diferentes conhecimentos e critérios dentro de uma só análise e a considerar seus âmbitos visíveis e invisíveis. Equivocam-se aqueles que pensam que a crise é somente econômica ou tecnológica ou ecológica. A crise da civilização requer novos paradigmas civilizatórios e não somente soluções parciais ou setoriais. Boa parte dos marcos teóricos e dos modelos existentes nas ciências sociais e políticas estão hoje rebaixados, incluindo os mais críticos.

Estamos então no fim de uma época, na fase terminal da civilização industrial, na qual as contradições individuais, sociais e ecológicas se agravam e na qual a norma são cada vez mais os cenários surpresa e a ausência de modelos alternativos. Vista assim, a crise requer um esforço especial, pois se trata de remontar uma época que afetou severamente um processo histórico iniciado a milhares de anos, de relações visíveis e invisíveis: o metabolismo entre a espécie humana e o universo natural.

3. O papel crucial da ciência e da tecnologia. Estes últimos três séculos foram uma sucessão contínua de transformações vertiginosas, inusitadas e até compulsivas. A ciência apoiou através da tecnologia o desenvolvimento do capitalismo e isso impulsionou a níveis inimagináveis, o desenvolvimento da ciência. O conhecimento permitiu a construção de máquinas cada vez mais sofisticadas, de edifícios, pontes, dispositivos, rodovias, substâncias artificiais fontes de energia, materiais diversos, medicamentos, organismos manipulados, meios de comunicação e de transporte. O poder da espécie humana se multiplicou a níveis sem precedentes, tanto para construir como para destruir. O mundo moderno, profano e pragmático, que foi e segue sendo um produto do conhecimento racional, modificou radicalmente visões, instituições, regras, costumes, comportamentos e relações sociais. O conhecimento em íntima relação com a empresa triunfou sobre todas as costas e transformou como nunca antes.

A ciência (e suas tecnologias) a serviço do capital é felizmente dominante, mas não hegemônica. Contrariamente ao que se apregoa e sustenta não há uma só ciência (“A Ciência”) senão muitas maneiras de conceber e de fazer ciência e de produzir tecnologias. No interior da gigantesca comunidade científica existem minorias críticas de contracorrente que buscam uma mudança radical do quefazer científico e a democratização do conhecimento. Por isso, toda superação da crise atual supõe uma mudança radical na maneirar de gerar e aplicar a ciência e a tecnologia. Embora não existam propostas alternativas de conhecimento científico não poderá remontar-se a crise; o conhecimento seguirá encadeado ao capital.

4. Tradição e Modernidade. Uma das chaves para a correta compreensão da crise da modernidade, e sua possível superação, refere-se ao significado cultural dos mundos que se localizam antes ou por fora desse mundo moderno. As periferias espaciais e temporais que por felicidade ainda existem como enclaves pré-modernos ou pré-industriais, são estratégias para a remodelação da sociedade atual. Pelo comum o tradicional se opõe (contrasta) a (com) o moderno.

Durante mais de 99% de sua história, o ser humano aprendeu a conviver e a dialogar com a natureza, ao considera-la uma entidade sagrada e ao conceber aos seus principais elementos como deidades e deuses. Também aprendeu a formar coletivos baseados na cooperação e na solidariedade, na sabedoria dos mais velhos e no uso de uma memória comunitária e tribal. A época de ouro da espécie humana teve lugar há uns 5000 anos quando cerca de 12000 culturas diferenciadas pela língua e distribuídas por todos os habitats do planeta aprenderam a viver em comunidades ou aldeias apoiadas por relações harmônicas com seus recursos locais. A aparição de sociedades não igualitárias cada vez mais complexas, permitiu o aumento da população, do comércio e do conhecimento, porém também desencadeou usos imprudentes dos recursos naturais.

A história que seguiu a essa época de equilíbrio, não foi mais do que a história de uma dupla exploração, social e ecológica, um longo processo de degradação e decadência que alcança seu zênite com o advento da modernidade. Hoje como nunca antes, apesar dos avanços tecnológicos, informáticos e sociais (como a democracia), a espécie humana e seu entorno planetário sofrem os piores processos de exploração e destruição.

No que resta de tradicional no planeta, 7000 povos indígenas com uma população estima em 400 a 500 milhões, se encontram as chaves para a remodelação das relações sociais e das relações ecológicas, hoje convertidas em meras formas de exploração do trabalho humano e da natureza. Por isso resultam de enorme interesse as experiências políticas que vivem países como Bolívia e Equador onde os governos se nutrem de elementos da cosmovisão indígena. Isso não significa uma volta romântica ao passado (tentadora opção), senão a síntese entre tradição e modernidade, que é a dissolução de seu conflito. Pois assim como não se podem eliminar os preceitos resgatáveis do tradicional, tampouco se podem desenhar os dos tempos modernos.

5. A Crise do racionalismo e o reencantamento do mundo. A ciência deu lugar ao novo “cosmo oficial” do mundo moderno. O conhecimento científico revelou o macrocosmos e o microcosmos desconhecidos ambos pelos seres pré-modernos. Sobre este cosmos profano que reconhece todo cidadão moderno, se montam, à maneira de componentes não desejados, toda uma série de outros cosmos secundários, marginais ou alternativos, que se empenham por manter vigente, de mil maneiras, um cosmos sagrado.

Porém o império da razão gerou, por sua vez, uma nova contradição. O racionalismo, que inevitavelmente, separa o sujeito do objeto de sua observação e análise, profanou uma visão do mundo que havia prevalecido e operado exitosamente durante o longo passado, e quebrou a unidade que existiu entre indivíduo, sociedade e natureza. Desta vez, a visão secular, o objetivo e a realidade científica, prometeu aliviar o sofrimento por uma oferta tentadora: a construção de um mundo cheio de satisfatores, confortáveis e seguro, onde a maioria das necessidades estaria satisfeita. Este “mundo feliz” teria como seus fundamentos o uso crescente e aperfeiçoado dos conhecimentos científicos e tecnológicos, pontualmente orientados por um ente econômico superior: o mercado. A fé no progresso, no desenvolvimento e um futuro cada vez maior, compensou a ausência de crenças divinas que se tornou a nova concepção moderna e racional da realidade. Mas esta substituição que deixou para trás o encantamento do mundo, condenou o macaco racional para viver com uma realidade que é analisada e fracionada por meio de instrumentos, equações, fórmulas, teoremas, experimentos, mas novamente não possui qualquer significado como um todo. O ser moderno ficou à deriva, desprovido de bússola; por esta razão é necessário um reencantamento do mundo, uma reconexão do indivíduo consigo mesmo, com os outros e com a natureza, que nada mais é do que o conceito de "bem viver" de visões de mundo indígenas.

6. O Indivíduo esquecido. Num mundo orientado por uma racionalidade instrumental, materialista e tecnocrática, as soluções da crise procuram o sentido comum nos processos de inovação tecnológica, os ajustes ao mercado, os produtos que se consomem, os sistemas de produção, os instrumentos financeiros ou políticos, os meios massivos de comunicação; e muito raramente no indivíduo, no ser e suas expressões mais íntimas, sutis e profundas: sua cultura, sua comunicação, suas problemáticas suas relações com ele mesmo e com os demais, inclusive suas maneiras de organizar-se e de resistir. Não se pode buscar a transformação nas “estruturas externas” e visíveis dos processos vastos e gigantescos da sociedade e da natureza, sem explorar o mundo (interno, doméstico e organizacional) do indivíduo. O ser humano é um ente complexo que busca o equilíbrio entre razão e paixão, pensamento e sentimento, corpo e espírito. É um ser cujas condutas e decisões se regem não somente pelo mundo consciente do dia senão pelo universo inconsciente da noite e dos sonhos. O ser humano, a cultura a qual pertence e que recria suas vidas cotidianas e as instituições e organizações que invente para enfrentar, resistir e remontar a crise, são as chaves ocultas, as dimensões intangíveis que a reflexão crítica deve integrar. É o Ocidente, por fim, olhando o Oriente.

7. A consciência de espécie. Hoje o conhecimento coerente e completo dos processos históricos e atuais, naturais e sociais, permite ao ser humano adquirir uma consciência sem concessões. Um olhar limpo sobre o que acontece. A consciência de espécie permite recobrar uma percepção original do ser humano, hoje quase esquecida ou suprimida na realidade industrial: a de seu pertencer ao mundo da natureza. Também o conduz a restabelecer um comportamento solidário com seus semelhantes viventes (humanos e não humanos) e não vivos e a edificar uma ética da sobrevivência baseada na cooperação, na comunicação e na compreensão de uma realidade complexa.

Sob a consciência de espécie já não só se pertence a uma família, a uma linhagem, a uma comunidade, a uma cultura, a uma nação ou a uma confraria religiosa ou política. Antes de tudo se é parte de uma espécie biológica, dotada de uma história e necessitada de um futuro, e com uma existência ligada ao resto dos seres vivos que integram o habitat planetário e, por suposto, em íntima conexão com o planeta mesmo. A consciência de espécie outorga aos seres humanos uma nova percepção do espaço (topoconsciência) e do tempo (cronoconsciência), que transcende a estreitíssima visão à qual lhe condena o individualismo, o racionalismo e o pragmatismo do homo economicus.

8. A era do poder social. Hoje vivemos o pináculo do capital e, mais especificamente, do capitalismo corporativo. Como nunca antes as grandes companhias tiveram lucros recordes, e não só, entraram em bancarrota, se deram o luxo de ser resgatas pelos impostos cidadãos. Isto foi assim porque o poder econômico subjugou o poder político a tal ponto que em muitos casos é impossível distinguir se se trata de um político que se dedica aos negócios ou um empresário que se dedica à política (aí estão os casos emblemáticos de G. Bush, V. Fox, S. Berlusconi e S. Piñera). Diante desse amálgama de interesses a grande derrotada tem sido a sociedade civil, os cidadãos que viram minguado seu poder de decisão. Hoje, a devastação do mundo da natureza corre paralela à exploração do esforço dos trabalhadores. Sozinho, o capital liberado de bloqueios e restrições destruiria o planeta inteiro se isso fosse rentável, da mesma forma que espremeria até a última gota de suor dos empregados e trabalhadores e abusaria impiedosamente dos consumidores.

O grande desafio é, então, a reconstituição do poder social e do controle cidadão sobre os processos econômicos e políticos. Isso supõe construir ou reconstruir o poder social em territórios concretos. Nesta perspectiva, a superação da crise será a substituição paulatina e gradual das atuais instituições por aquelas criadas pelo poder cidadão. Às gigantescas companhias monopolísticas seguirão as cooperativas, microempresas e empresas de escala familiar; aos grandes bancos, seguirão as caixas de poupança, os bancos populares e as cooperativas de crédito; às cadeias comerciais, o comércio justo, orgânico e direto entre produtores e consumidores. À produção estatal ou privada de energias fósseis e da água seguirá a produção doméstica ou comunitária de energias solares e renováveis e de água; aos grandes latifúndios, base dos agronegócios, as reformas agrárias de inspiração agro-ecológica; aos espaços naturais, cênicos e de espaçamento hoje privatizados, sua reconversão em espaços públicos e gratuitos administrados pelos cidadãos locais. Y, naturalmente, os orçamentos participativos.

9. Revolução ou Metamorfose? Embora muitas coisas mudaram, um preceito que segue vivo não obstante sua obsolescência é a ideia de revolução, de mudança súbita e violenta. Imbuído de uma força épica descomunal, a ideia de revolução encerra dons sagrados como o sacrifício, a entrega, a glória, o heroísmo, tudo o que dá um sentido a existência daqueles que se envolvem. Hoje, na era da comunicação, da informação, do conhecimento e da democracia a mudança social requer novas fórmulas. A sociedade civil organizada, liberada do controle dos poderes econômico e político, deve conformar núcleos, redes, organizações baseadas na cooperação, no conhecimento, na comunicação e na tomada democrática de decisões. A construção do poder social em territórios concretos deve ser um processo expansivo, combinado quando for possível com a tomada do poder político, neste caso com o único fim de consolidar, multiplicar e expandir... o poder social. Isso dá lugar a uma nova ideia de mudança, como processo gradual e acumulativo, e por isso recorda o fenômeno da metamorfose. Deixar para trás a ideia de revolução para substituí-la pela metamorfose outorga uma visão ancorada no cotidiano, expressado em ações concretas e que permite projetar a mudança a curto, médio e longo prazo.

10. Homo sapiens ou Homo demens? Aqueles que conseguem, hoje, vislumbrar claramente a situação que se vive, que a um tempo produz angústia e temor, paralisia ou desilusão, conseguem resgatar a dimensão mais acabada do pensamento crítico. Que não é de esquerda e nem de direita, nem conservador nem progressista, pois hoje as geometrias ideológicas ficaram rebaixadas. Eles adquiriram uma “consciência de espécie”, uma “ética planetária”, uma “inteligência global”.. Esta consciência é fundamentalmente o reconhecimento de que a nossa é também uma espécie mortal, uma espécie que dependendo das ações atuais presentes e futuras pode chegar a desaparecer e que, por isso mesmo, se torna uma espécie ameaçada de extinção. O anterior nos força para fazer as seguintes perguntas: há realmente uma diferença nítida e profunda entre os seres humanos dotados com esta consciência de espécies e a falta dele? Não é essa raça na verdade duas espécies (social, cultural, ontológica) dentro de uma mesma associação biológica? Não estamos, portanto, diante de dois radicalmente distintos membros da mesma espécie biológica? Em suma, não estamos reconhecendo duas espécies diferentes, o “macaco demente” (Homo demens) e o “macaco pensante” (Homo sapiens),de cuja conflitividade e sua resolução dependerá o futuro da humanidade, do resto dos seres vivos e do planeta inteiro?

Notas
(1)  Publicado en: Rojo Amate 2: 7-11. 2010. 
www.rojoamate.com
(2)  Las 10 tesis aquí enunciadas, se encuentran más desarrolladas en mis ensayos: “¿Contra Nosotros? La conciencia de especie y el surgimiento de una nueva filosofía política” (2009). En Polis. Revista de la Universidad Bolivariana, Vol. 8 Nº 22: 219-228 (
www.scielo.cl/pdf/polis/v8n22/art13.pdf.); y “Las claves ocultas de la sostenibilidad: transformación cultural, conciencia de especie y poder social”. En La Situación del Mundo 2010. Icaria Editorial y World Watch Institute. Madrid.

Para citar este artículo:
Referencia electrónica
Víctor M. Toledo, « Diez tesis sobre la crisis de la modernidad », Polis [En línea], 33 | 2012, Puesto en línea el 23 marzo 2013, consultado el 05 febrero 2014.
URL : http://polis.revues.org/8544 ; DOI : 10.4000/polis.8544 

Autor
Víctor M. Toledo
Centro de Investigaciones en Ecosistemas, UNAM campus Morelia, México. Email: vtoledo@oikos.unam.mx
Artículos del mismo autor
¿Contra nosotros? [Texto integral]
La conciencia de especie y el surgimiento de una nueva filosofía política

17/04/2014 http://www.decrecimiento.info/2014/03/diez-tesis-sobre-la-crisis-de-la.html

Administração Sem Gestão. Pão, Paz e Liberdade (ainda que tardia)



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