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domingo, 13 de julho de 2014

O FUTEBOL COMO UMA METÁFORA PARA A ADMINISTRAÇÃO DE NEGÓCIOS

Gostei de um texto publicado pelo colega Rosberg Nery Porto, por isso resolvi mantê-lo na minha linha do tempo no Facebook. Fiz este comentário em especial porque o autor expõe ideias que tenho compartilhado aqui. Fiz uma revisão do comentário para publicar neste Blog.

Começo com esta citação de Darcy Ribeiro sobre a visão antropológica do processo civilizatório do Brasil:

Poucos países juntaram, como o Brasil, tijolos e cimentos tão díspares em seu processo de constituição. Poucos também experimentaram vicissitudes que mostram de forma tão clara os caminhos pelos quais uma nação pode constituir-se não para servir a si mesma, mas para atender a interesses alheios. Efetivamente, o Brasil não nasceu como etnia e se estruturou como nação em consequência d soma dos desígnios de seus criadores. Surgiu, ao contrário, como uma espécie de subproduto indesejado e surpreendente de um empreendimento colonial, cujo propósito era produzir açúcar, ouro ou café e, sobretudo, gerar lucros exportáveis”. (RIBEIRO, Darcy, In: Os Brasileiros: 1. Teoria do Brasil. 1983, p.19)

 Realmente precisamos fazer uma mudança total no Brasil. Não apenas no futebol, que é, ainda, nossa melhor maneira de diversão, mas nas instituições como um todo. Mudança política, econômica, educacional, cultural. Permanecer com esse status quo é passar um atestado público de cretinice, imbecilidade, mediocridade e, porque não dizer, burrice. Todos estamos cansados de um viver reativo, que anda para o passado e proclama, na hora de ganhar o voto do povo, que o "O Brasil é o país do futuro". O país do futuro não joga com ideias do passado, não fica o tempo todo venerando reis de futebol e reis de política ideológica como se fosse tábua de salvação.

O Brasil está afundando e os ratos espertos já pularam deste barco ao abrir suas polpudas contas nos paraísos fiscais. Nós não temos tsunamis, terremotos, não fomos bombardeados em nenhuma das guerras que ocorreram no século XX, não temos guerras civis territoriais nem fundamentalistas, embora tenhamos uma guerra civil urbano-suburbana desenhada na violência que domina nos grandes centros; mas não temos também como enfrentar a tecnologia que está à frente em quase todas as áreas de conhecimento, inclusive no esporte, como pode ser visto nas quebras de recordes, nas jogadas e passes bem focalizados como se estivéssemos assistindo a um jogo em vídeo game. Só conseguimos ficar entre as quatro melhores seleções porque pegamos uma chave que foi salvadora, na qual também só havia seleções, como a nossa, ainda acreditando que o modelo de futebol jogado há 10, 20 anos ainda é de qualidade.

Como nos negócios – e o futebol é um negócio bastante rentável como mostram os números do evento montado aqui pelos espertos capitalistas da FIFA –, o produto que as seleções produzem e vendem exigem administração estratégica de qualidade, cujos parâmetros hoje são bem distintos daqueles utilizados nos anos 70, 80 e 90 do século passado. Hoje estamos vivenciando uma Administração Estratégica da Qualidade Integral e isto foi mostrado pelas equipes da Alemanha (7x1) e Holanda (3x0),com um total em dois jogos de 10 chutes certeiros. E o que tem de comentaristas que ainda comparam as seleções de ontem com a de hoje.

O mesmo é percebido nos modelos de gestão empresarial quando nossos empresários com pouca visão empreendedorial (veja meu livro ALÉM DE SER EMPRESÁRIO SEJA EMPREENDEDOR, www.livrariasaraiva.com.br/produto/7733939) ficam comparando a qualidade de ontem com a produção de hoje e chorado o leite derramado como se não tivessem sido avisados de que tudo muda pois nada é estático; que o mundo anda de forma dinâmica e que o sucesso de ontem já não representa um modelo fiel para as realizações do presente. O velho e obsoleto hábito de lidar com commodities enferrujou a inteligência do produtor brasileiro e se espalhou até nos entretenimentos. Procuraram transformar o futebol em mais uma commodity exportável e lucrativa como vem sendo feito desde o tempo pré-colonial e colonial, agora para atender à dominação neocolonial que ainda olham este país como um mero produtor de bens e serviços para o uso e abuso dos capitalistas inescrupulosos.

Circulam pelas redes um quadro comparativo interessante o qual mostra o desempenho científico e tecnológico dos quatro países finalistas dessa Copa 2014. Dos quatro países o Brasil é o único que não tem nenhum Premio Nobel. Outro quadro compara itens de desenvolvimento e desempenho socioeconômico e o Brasil continua perdendo disparado em relação aos demais. Infelizmente, mesmo contrariando muitos seguidores de ideologias obsoletas, que insistem em revivê-las como sistema de governança política nacional, o Brasil ainda não conseguiu sair ou superar o seu momento colonial e se desvincular do capital feudo-comercial que promoveu a Revolução Mercantil-Artesanal no Ocidente. Continuamos refém de um monopólio feudalista (com um modelo ruralista modernizado) que se combinou com a burguesia capitalista e que contribui para que sistemas políticos decrépitos espreitem o nosso modelo constitucional republicano.

Mudanças hoje exigem a participação de pessoas proativas, com visão de futuro centrada em uma Economia Orgânica (ou Ecoeconomia como querem alguns estudiosos e Decrescimento Econômico como insistem outros com posição política ainda com resquício do velho modelo socialista obsoleto). Neste sentido o Brasil do velho modelo de futebol e da tradicional política agro-comercial não oferece nenhuma contribuição que possa avançar para um novo sistema de entretenimento nem para um sistema socioeconômico e sociocultural capaz de dar uma largada na direção de um novo século. Sem foco proativo, sem fluxo dinâmico (que o taoismo chama de zanshin) não conseguiremos alcançar conclusões que garantam um desenvolvimento político, social e econômico de valor significativo para um povo que é naturalmente alegre e brincalhão e que não merece ser explorado pelas elites internacionais e seus coniventes testas de ferro nacionais.


Pão, Paz e Liberdade

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